Falta de recursos mantém milhares de alunos a estudar ao relento em Moçambique

 


A insuficiência de recursos financeiros continua a comprometer o sector da educação, no país, onde mais de 10 mil turmas continuam ao relento, sem salas adequadas e/ou carteiras escolares. O cenário, agravado pelas calamidades naturais, foi reconhecido pela Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela.

Samaria Tovela defende que a insuficiência de recursos financeiros continua a agravar as condições de aprendizagem em Moçambique. A governante revela que existe, actualmente, cerca de 10.500 turmas ao ar livre em todo o país, uma realidade que afecta crianças que estudam debaixo de árvores, sem carteiras e sem condições mínimas para um processo de ensino e aprendizagem condigno.

Tovela alertou ainda que o número poderá ser ainda maior devido aos estragos provocados pelas chuvas e intempéries que atingiram várias províncias do país, destruindo total ou parcialmente infra-estruturas escolares. “Há poucos meses falávamos de 10.500 turmas ao ar livre. Com a situação das calamidades naturais, estamos a realizar um levantamento estatístico e é provável que o desafio seja ainda maior”, afirmou.

A Ministra da Educação e Cultura explicou que o Governo está a trabalhar na construção de novas escolas e na mobilização de recursos para descentralizar a edificação de infra-estruturas escolares ao nível das comunidades. “Estamos a construir escolas e vamos iniciar a construção de mais 12 escolas. O nosso maior desafio é garantir melhores condições para as nossas crianças”, disse.

Apesar dos esforços, Samaria Tovela considera que o crescimento demográfico acelerado continua a pressionar o sistema nacional de educação, dificultando a resposta à procura por salas de aula e mobiliário escolar. “Temos um crescimento populacional anual de cerca de 3%. Isso representa enormes desafios em termos de recursos. Todos queremos que as crianças estudem em salas adequadas e sentadas em carteiras, mas precisamos de mais financiamento e mais produção para acompanhar a demanda”, acrescentou.


Cartamoz

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