O sucesso de Portugal no Mundial2026 de futebol passará pela tranquilidade em redor da seleção, assume o ex-internacional Ricardo Costa, elogiando o trabalho do treinador espanhol Roberto Martínez à frente dos detentores da Liga das Nações.
"Há que deixar Portugal trabalhar e não criar muito stress nem querer levar para fora notícias de tudo e mais algum detalhe. Que não haja casos ou tentativas de se falar sobre se alguns se vão transferir ou não [de clube]. É preciso foco total no trabalho e na preparação do primeiro jogo para que os resultados sejam muito positivos", alertou à agência Lusa o antigo defesa central, de 45 anos, que atuou pela seleção nacional em três Campeonatos do Mundo, em 2006, 2010 e 2014, e é o novo treinador do Tondela, recém-despromovido à II Liga, após ter deixado o também secundário Feirense.
No Grupo K da primeira fase, Portugal vai medir forças com a regressada República Democrática do Congo e o estreante Uzbequistão, ambos em Houston, em 17 e 23 de junho, e a vice-campeã sul-americana Colômbia, em Miami, em 27 do mesmo mês (madrugada do dia 28 em Lisboa).
"A República Democrática do Congo tem uma equipa mais física, poderá surpreender e adaptar-se melhor às condições atmosféricas e complicar muito se Portugal não tiver um jogo fluído e as coisas não estiverem a correr bem. Há mil e um detalhes que, se não forem controlados, podem por vezes alterar e muito o desfecho de uma partida. É lógico que toda a gente olha para o grupo e pensa que a Colômbia poderá ser uma adversária direta de Portugal, mas os congoleses também têm uma palavra a dizer", enquadrou Ricardo Costa, com 22 encontros e um golo pela seleção principal.
A caminho da nona presença, e sétima seguida, na fase final do principal torneio internacional de seleções, Portugal tem como melhor resultado o terceiro lugar alcançado logo na estreia, em 1966, em Inglaterra, e "está repleto de excelentes jogadores em todas as posições" para almejar ir à final e conquistar um inédito troféu, mas "tem de respeitar os adversários".
"Não podemos pensar que somos os melhores só porque somos Portugal e temos a maioria a competir em grandes clubes. A humildade será muito importante. Portugal vai alinhar em países com fusos horários, temperaturas, 'jet lags' e altitudes - caso aconteça - complicados de gerir e tudo altera a forma de atuar. A quantidade de jogos que estes atletas fizeram esta época também pode ser um bocadinho negativa para a performance coletiva", frisou.
Ricardo Costa atesta a qualidade dos centrais Rúben Dias, o "pilar da linha defensiva", Gonçalo Inácio, Renato Veiga e Tomás Araújo, sem descurar a importância do trabalho coletivo com e sem bola dos restantes setores.
"Só queremos que eles joguem ao seu nível, mostrem qualidade e estejam frescos e recuperados de lesões e pequenas mazelas. Quando a competição começar, não há muito tempo de trabalho, só mais para a recuperação, mas faz parte. Temos um departamento médico fantástico, que eu conheço bem, e vamos estar preparados", afirmou, evocando os estágios "especiais, diferentes e adaptados à maior realidade possível" que fez com a seleção em três Mundiais e no Campeonato da Europa de 2012.
Admitindo que "não é fácil conjugar tantas estrelas e colocá-las ao serviço de um ego coletivo", Ricardo Costa fala num "excelente trabalho" de Roberto Martínez, que, assente na "capacidade de liderança, tranquilidade nas tomadas de decisão e obtenção do máximo rendimento de cada atleta", promove um "coletivo forte e com coragem de jogar para vencer".
"Tudo vai depender sempre de quem entrar nas escolhas e do jogo que o selecionador quer fazer. As características de cada um vão ditar diferenças de um encontro para o outro", sustentou o ex-futebolista de FC Porto, Boavista, dos espanhóis do Valência ou dos alemães do Wolfsburgo, entre outros clubes nacionais e estrangeiros.
A 23.ª edição do Campeonato do Mundo realiza-se de 11 de junho a 19 de julho e integra pela primeira vez 48 seleções, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.
"O grupo está montado, está junto há bastante tempo e toda a gente se conhece. Estas ligações e conhecimento mútuo são importantes para que haja mais liberdade de movimentos dentro de um jogo. Estamos a ter uma vantagem que há que aproveitar, que é esta química entre atletas", finalizou.

0 Comentários