Moçambique. Supostos terroristas matam três civis em Cabo Delgado

 


Pelo menos três civis foram mortos na sequência de um ataque atribuído a um grupo de extremistas na aldeia Xitaxi, distrito de Muidumbe, província moçambicana de Cabo Delgado, disseram hoje à Lusa fontes da comunidade.

Segundo as fontes, o ataque aconteceu na sexta-feira, na zona de produção agrícola no limite entre as povoações de Xitaxi e Chitunda, após os populares terem sido surpreendidos pelo grupo armado.

"Houve ataque dos terroristas nas nossas machambas [campos agrícolas] e mataram três pessoas", explicou uma fonte, a partir de Muidumbe.

Na sequência do ataque, vários agricultores abandonaram a zona, temendo mais violência.

"Mataram e saquearam produtos nas machambas", disse outra fonte.

As povoações de Xitaxi e Chitunda localizam-se ao longo da estrada Número 380, uma das poucas asfaltadas na região.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A organização ACLED registou oito eventos violentos nas duas últimas semanas de maio na província de Cabo Delgado, seis envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.624 os óbitos desde 2017, conforme noticiado anteriormente pela Lusa.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 18 a 31 de maio, dos 2.397 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.214 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

No relatório sobre este período de duas semanas é referido que, em 25 de maio, elementos do EIM conseguiram "disparar morteiros contra uma posição militar moçambicana nos arredores de Macomia, demonstrando a fragilidade da segurança da vila", no centro de Cabo Delgado.

"Pelo menos outros três incidentes violentos ocorreram na vila, com alguns residentes a culparem as forças de segurança, que, por sua vez, culpam o EIM. A sul, militantes do EIM permanecem em Chiúre, embora a sua motivação para lá estar continue a ser obscura", lê-se no relatório.

A avaliação do ACLED acrescenta que, na costa, ainda neste período, há registos de que "os insurgentes sequestraram pelo menos 12 embarcações nas águas ao largo de Mocímboa da Praia e Macomia", ilustrando "a incapacidade da Marinha moçambicana de garantir a segurança aos proprietários e operadores de embarcações".

Acrescenta, entre outros dados, que nas últimas duas semanas, o EIM "tem tido como alvo proprietários de barcos moçambicanos" e que, na noite de 20 de maio, combatentes do grupo, em sete embarcações, "cercaram um grupo de cinco barcos de pesca ao largo de Pangane, no distrito de Macomia".

"Após negociações com os proprietários dos barcos, foi pago um resgate de 60.000 meticais [808 euros] por dois barcos, e os sequestradores apreenderam os três restantes, juntamente com o seu equipamento. Os barcos foram provavelmente levados para norte, para o rio Messalo", refere o ACLED.

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