O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o senador e pré-candidato à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro, um dia após Washington anunciar uma tarifa de 25% aos produtos brasileiro.
"Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca. Um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil", escreveu Trump na sua rede social com fotos do encontro entre os dois na semana passada.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, também nas suas redes sociais, agradeceu Trump "pelas palavras respeitosas", afirmando que será o próximo presidente do Brasil.
"Em vez das tarifas do Lula, teremos uma enxurrada de investimentos, para o bem das nossas nações!", escreveu ao dizer que o Brasil e os Estados Unidos "voltarão a ter uma relação de alto nível".
As publicações de Trump e de Flávio ocorreram um dia depois de os EUA proporem a aplicação de tarifas de 25% sobre todas as mercadorias de origem brasileira, após concluírem que as políticas comerciais do Brasil prejudicam o comércio norte-americano.
Entre as práticas que supostamente "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos, os EUA citam o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol.
A investigação foi aberta em julho do ano passado pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) contra supostas "práticas desleais" do Brasil, e a nova tarifa entra em vigor no dia 15 de julho.
Ao discursar hoje, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, associou Flávio Bolsonaro ao aumento de tarifas dos EUA e chamou o adversário de "imbecil" e "traidor da pátria".
O líder de esquerda escarneceu do encontro de Flávio com Trump e disse que o adversário foi pedir ao Presidente norte-americano para prejudicá-lo devido às eleições de outubro.
"Imbecil, ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar é o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio"", bradou em tom eleitoral.
Mais cedo, numa entrevista, Flávio Bolsonaro disse que durante a sua reunião com Trump, há uma semana, pediu "expressamente" para os Estados Unidos não taxarem o Brasil.
Após Washington ameaçar o Brasil com a nova tarifa, o Governo brasileiro divulgou uma nota a manifestar a sua indignação, afirmando que pode responder aos EUA com reciprocidade.
"É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares", informa o comunicado.
O Palácio do Planalto também rejeitou as alegações que fundamentam a investigação e afirmou que "não existe justificativa económica" para a adoção de tarifas contra produtos brasileiros ou contra mecanismos nacionais de pagamento como o Pix.

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