Chegada de extremistas leva à fuga de população de aldeia de Cabo Delgado



Populares de Nnaua, no distrito de Ancuabe, província moçambicana de Cabo Delgado, relataram hoje um ataque à aldeia por alegados extremistas, levando à fuga da população e pânico na região.
Fontes locais explicaram hoje à Lusa que ataque iniciou-se durante o dia de domingo e que, desde então, a população fugiu para locais mais seguros.
"Os terroristas entraram na nossa aldeia de Nnaua e provocaram a fuga de muita gente", relatou uma fonte, já a partir de Ancuabe, sede de um dos distritos mais visados por ataques destes grupos insurgentes nas últimas semanas.
O ataque à aldeia de Naua provocou a fuga dos populares para Ancuabe sede e outros pontos da província de Cabo Delgado.
"Pessoas estão a fugir por medo", disse a fonte, desconhecendo a existência de vítimas após o ataque, mas confirmando que o mesmo provocou pânico naquela região.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização ACLED registou oito eventos violentos nas duas últimas semanas de maio na província de Cabo Delgado, seis envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.624 os óbitos desde 2017, conforme noticiado esta semana pela Lusa.
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 18 a 31 de maio, dos 2.397 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.214 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
No relatório sobre este período de duas semanas é referido que, em 25 de maio, elementos do EIM conseguiram "disparar morteiros contra uma posição militar moçambicana nos arredores de Macomia, demonstrando a fragilidade da segurança da vila", no centro de Cabo Delgado.
"Pelo menos outros três incidentes violentos ocorreram na vila, com alguns residentes a culparem as forças de segurança, que, por sua vez, culpam o EIM. A sul, militantes do EIM permanecem em Chiúre, embora a sua motivação para lá estar continue a ser obscura", lê-se no relatório.
A avaliação do ACLED acrescenta que, na costa, ainda neste período, há registos de que "os insurgentes sequestraram pelo menos 12 embarcações nas águas ao largo de Mocímboa da Praia e Macomia".
"Ilustrando a incapacidade da Marinha moçambicana de garantir a segurança aos proprietários e operadores de embarcações", aponta ainda.
Acrescenta, entre outros dados, que nas últimas duas semanas, o EIM "tem tido como alvo proprietários de barcos moçambicanos" e que, na noite de 20 de maio, combatentes do grupo, em sete embarcações, "cercaram um grupo de cinco barcos de pesca ao largo de Pangane, no distrito de Macomia".
"Após negociações com os proprietários dos barcos, foi pago um resgate de 60.000 meticais [808 euros] por dois barcos, e os sequestradores apreenderam os três restantes, juntamente com o seu equipamento. Os barcos foram provavelmente levados para norte, para o rio Messalo", refere o ACLED.

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